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Vender a empresa

Resposta direta

Quem compra uma empresa paga pelo lucro que consegue confiar e prever, não pelo faturamento. E desconta do preço tudo o que vê como risco: dívidas, contratos de boca, clientes concentrados, números confusos e um negócio que só funciona com o dono. Por isso, a preparação, de preferência um a dois anos antes, pesa no preço tanto quanto a negociação.

Por que o dono e o comprador chegam a preços diferentes

O dono costuma pensar no faturamento, no que investiu e nos anos de trabalho. O comprador pensa no lucro que vai receber depois da compra e no que pode dar errado.

  • Lucro, não faturamento. Duas empresas que faturam o mesmo podem ter lucros muito diferentes.
  • Lucro que dá para confiar. Se a contabilidade mistura despesas pessoais ou tem números que não batem com o banco, o comprador não aceita o lucro informado.
  • Lucro que vai continuar. Uma receita que não se repete, um cliente que responde por metade das vendas ou um dono que faz todas as vendas tornam o lucro futuro incerto.
  • Risco vira desconto. Durante a negociação, o comprador não ajuda a resolver os problemas: ele desconta o risco do preço, retém parte do pagamento ou desiste.

A sua empresa está pronta?

Responda às oito perguntas. O resultado mostra o que arrumar primeiro, do que mais pesa no preço ao que menos pesa.

A sua empresa está pronta para ser vendida?

1. Há dívidas de impostos, processos trabalhistas ou notificações em aberto?
2. A contabilidade tem balanço e DRE confiáveis, com as contas separadas das pessoais?
3. Os sócios estão de acordo sobre vender e há regras escritas para isso?
4. As vendas e as decisões dependem só do dono?
5. Os três maiores clientes somam mais da metade do faturamento?
6. Os clientes recorrentes, o aluguel e os fornecedores principais têm contrato?
7. O lucro e o caixa são previsíveis de um mês para o outro?
8. As rotinas principais estão escritas?

O lucro que o comprador enxerga

Antes de qualquer conversa de preço, o comprador “limpa” o lucro da DRE: troca a retirada dos sócios por um salário de mercado, devolve ao lucro os gastos pessoais pagos pela empresa e tira as receitas e despesas que não se repetem. A calculadora de lucro ajustado faz essa conta com os seus números.

Vender as quotas ou vender o negócio

Venda das quotasVenda do negócio (trespasse)
O que muda de donoA empresa inteira, com CNPJ, contratos e históricoO ponto, a marca, os clientes, os equipamentos e o estoque
Quem fica com as dívidas antigasA empresa, que agora é do compradorEm regra, quem vendeu; o comprador responde pelas dívidas que estavam na contabilidade e pelas dívidas de impostos, conforme a lei
Quem paga o imposto da vendaO sócio, pessoa física, sobre o ganhoA empresa que vendeu, sobre o ganho com os bens
Cuidado principalInvestigação completa da empresaContrato de trespasse registrado e cláusula de não concorrência

Na venda do negócio, o Código Civil impede quem vendeu de abrir um concorrente nos cinco anos seguintes, salvo acordo diferente, e mantém o vendedor responsável pelas dívidas contabilizadas por um ano.

Se o comprador for uma empresa, a compra das quotas pode tirar a empresa do Simples Nacional, porque sócio pessoa jurídica é um dos impedimentos do regime. Vale simular o novo regime antes de fechar.

O que o comprador vai investigar (due diligence)

Antes de assinar, o comprador confere a empresa por dentro. Ter estes documentos organizados encurta a negociação e evita desconto no preço:

  • Contabilidade: balanço e DRE dos últimos anos, conciliações bancárias e livros.
  • Impostos: certidões negativas, parcelamentos, declarações entregues e notificações.
  • Pessoal: folha, eSocial, FGTS e processos trabalhistas.
  • Contratos: clientes, fornecedores, aluguel, empréstimos e garantias.
  • Sociedade: contrato social e alterações, acordo de sócios, atas e procurações.
  • Licenças e registros: alvará, licenças da atividade, marca registrada e conselho profissional.

Como o preço costuma ser pago

  • À vista ou parcelado. No parcelado, o contrato precisa prever garantias e o que acontece se uma parcela atrasar.
  • Parte condicionada ao resultado (earn-out). Uma parte do preço só é paga se a empresa bater metas depois da venda. Aproxima o preço do dono e o do comprador, mas exige metas medidas pela contabilidade.
  • Retenção para riscos. Parte do pagamento fica guardada por um prazo para cobrir dívidas antigas que apareçam.

Trazer um investidor em vez de vender tudo

Vender só uma parte também é possível: o investidor compra quotas de um sócio ou entra com dinheiro novo, por aumento de capital. A preparação é a mesma, e o acordo de sócios ganha peso: quem decide, como sair e o que acontece se um quiser vender. Veja entrada e saída de sócio.

Passar a empresa para os filhos

A sucessão familiar também é uma venda, só que planejada com mais tempo. As quotas podem passar por doação em vida, com o imposto estadual sobre doações (ITCMD), ou por herança. O que mais pesa é o mesmo da venda: o negócio precisa funcionar sem depender só do fundador, e as regras entre os herdeiros precisam estar escritas.

Impostos na venda

O sócio pessoa física que vende quotas por mais do que custaram paga Imposto de Renda sobre o ganho: 15% sobre a parte do ganho até R$ 5 milhões, 17,5% de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, 20% de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões e 22,5% acima disso. O imposto é pago até o último dia útil do mês seguinte ao da venda; na venda parcelada, na proporção de cada parcela recebida.

Imposto na venda das suas quotas

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Desde 2026, lucros distribuídos por uma empresa a um mesmo sócio acima de R$ 50 mil por mês têm retenção de 10% de Imposto de Renda. Distribuir os lucros acumulados antes da venda pede planejamento, mês a mês.

Etapas

  1. Diagnóstico, um a dois anos antes: o que derruba o preço hoje.
  2. Arrumar a casa: contabilidade confiável, pendências resolvidas, contratos assinados e acordo entre os sócios.
  3. Mostrar o lucro ajustado com documentos que o comprador aceite.
  4. Negociação e investigação do comprador, com os documentos à mão.
  5. Contrato de compra e venda, com preço, forma de pagamento, garantias e não concorrência.
  6. Alteração do contrato social ou contrato de trespasse, registro na Junta e atualização do CNPJ.
  7. Imposto da venda e declaração de Imposto de Renda do ano seguinte.

Como a MW Conti acompanha

Fazemos o diagnóstico com você, organizamos a contabilidade e os balanços, calculamos o lucro ajustado, levantamos e resolvemos as pendências, preparamos os documentos para a investigação do comprador e cuidamos da alteração contratual e do imposto da venda. O preço é negociado entre você e o comprador; a gente cuida para que os números sustentem esse preço. Veja preparação para venda.

Fontes

Veja também

Perguntas frequentes

Quanto vale a minha empresa?

O comprador calcula o preço sobre o lucro que consegue confiar e prever, não sobre o faturamento. Depois, desconta os riscos: dívidas, dependência do dono, clientes concentrados. Por isso, duas empresas com o mesmo faturamento podem valer muito diferente.

Quanto tempo antes devo me preparar para vender?

O ideal é começar um a dois anos antes. É o tempo de ter balanços confiáveis, resolver pendências e mostrar que o resultado se mantém sem depender só do dono.

Pago imposto ao vender as minhas quotas?

Se vender por mais do que custaram, sim: a pessoa física paga Imposto de Renda sobre o ganho, de 15% até R$ 5 milhões de ganho, com faixas maiores acima disso, até o último dia útil do mês seguinte ao da venda.

Escrito por Wellisson Almeida da Silva

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